domingo, 27 de maio de 2012

Chegou a hora da verdadeira mentira

Aproxima-se mais um período eleitoral. Achegam-se dias de promessas, quilômetros de boas intenções, léguas de compromissos, milhas e milhas de obras e gestos garantidos: tudo isso a favor desse ser coletivo e difuso a quem chamamos povo. Que coisa boa...
http://cotidianews.wordpress.com/2011/02/08/povo/

Se o povo, ao longo da história, tivesse recebido tudo o que lhe vem sendo prometido, houvesse acumulado em suas casas, pelas ruas, campos e florestas as coisas boas que são apresentadas em discursos e programas eleitorais,  hoje não teríamos mais o mundo, senão o Paraíso. 

Seríamos felizes e carga plena, nem mesmo trabalhar seria preciso, uma vez que a sociedade estaria de tal forma organizada - e o prefeito sistema proposto pelos políticos seria provedor tão eficaz - que tudo estaria a nosso dispor ao simples estirar de um braço.

As campanhas políticas tornaram-se espetáculos de convencimento, mais que isso, de sedução, especialmente agora, com a sofisticação dos processos de comunicação. Os políticos são produtos ou a isso assemelhados, a fim de obter o pagamento que tanto desejam: o voto. Eles se vendem como artífices do futuro, engenheiros do equilíbrio social e terminam por ser comprados.

Mas, quando consumidos, ou seja, quando ocupam o cargo que disputaram, costumam causar malefícios ao consumidor, como ocorre com produtos estragados.

Mas, que venha a campanha e a chusma de promessas. Mas o pior de tudo é que somos um povo acorrentado ao voto obrigatório. Quer dizer, o político não é eleito; ele se faz eleger, o que é sutilmente diverso. Sei que o absenteísmo não é caminho válido para o processo político. O indiferentismo não é boa escolha. Mesmo assim, creio que deveria haver neste país uma grande mobilização pregando o voto nulo. De tal forma que os eleitos o fossem com votação mínima, ridícula, demonstrando com isso a sociedade que está atenta aos que mentem para se manter lá no alto e, lá chegando, se locupletam à tripa forra.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Até que morra uma autoridade

Foto: No Minuto
O Hospital Walfredo Gurgel volta a ser notícia nacional. O anúncio de seca está outra vez aferrado ao sertão como fantasma. Dois aspectos de uma só realidade: a inação dos governantes que ao longo da história pouco ou nada fizeram para enfrentar esse quadro. 

O que percebo é a causa maior disso tudo: a mentalidade administrativa, a cultura política que nos rege. Os governantes, não só a adminstração atual, as anteriores também, trocam o essencial pelo acessório, a política pública pela publicidade de atos e fatos tornados deslumbrantes na mídia.

Mas o deslumbrante é apenas isso: deslumbra, mas, como o filme cheio de efeitos especiais, acaba, e quando acaba, resta-nos uma realidade desalentadora. Até aqui nenhum governo deu arrancada ações simples e sistemáticas para enfrentamento da seca: barragens subterrâneas, poços artesianos, por exemplo.

Quanto ao Walfredo, até hoje ninguém parou para tomar a decisão: vamos fazer esse hospital funcionar, com dignificação do atendimento aos que lá chegam levados por situação de emergência. Se se pode gastar tanto dinheiro com obras suntuárias, por que não seria possível fazer um hospital atender bem?

Os médicos estão em greve, as pessoas estão jogadas pelos corredores, a dor escorre dos corpos que sofrem. Temo que, até que morra uma autoridade, por falta de atendimento de urgência naquele hospital, nada será feito para que o povo ali tenha atendimento digno desse nome.

sábado, 19 de maio de 2012

Leio no Novo Jornal e compartilho

Plural
ERICK PEREIRA
Advogado ▶ ewp@erickpereira.adv.br

A utopia do recall

O “recall” se popularizou entre nós como o recolhimento de um produto
defeituoso pelo fabricante. Produto material, bem dizer: automóveis,
brinquedos, medicamentos, eletroeletrônicos. O recall humano, o
eleitoral, em que parcela insatisfeita dos cidadãos eventualmente determina
a remoção de seu representante, permanece nosso desconhecido.

No último Congresso Brasileiro de Direito Constitucional (IBDC), em
São Paulo, ousou-se discutir este instrumento político de participação
semidireta que, embora nos apareça como miragem ou um projeto de
Th omas Morus, abriga história e usos insuspeitos.

O instituto de tradição suíça foi objeto do entusiasmo de Lenin, o líder
comunista tido pelo historiador Eric Hobsbawm como “o personagem
mais infl uente do séc. XX”. Surpreendentemente, foi Lenin quem
introduziu o recall eleitoral na Constituição russa de 1918, prestígio que
se estendeu às constituições de 1933 e 1977 da União Soviética e às Cartas
da Hungria, Polônia, Romênia e das antigas Alemanha Oriental e
Tchecoslováquia.

Atualmente, o recall é acolhido em poucos países, destacando-se na
tradição da cultura política norte-americana onde o instrumento é utilizado
contra detentores de cargos nos três Poderes. O caso mais famoso
ocorreu em 2003, na Califórnia, quando o republicano Schwarzenegger
substituiu o governador democrata Gray Davis, cassado por recall. E pensar
que a cassação decorreu apenas de uma avaliação de incompetência
para solucionar uns “apagões” decorrentes de uma crise energética...

O Brasil da época de Bonifácio adotou instrumento semelhante ao
recall durante brevíssimo tempo. Algumas constituições estaduais igualmente
o abrigaram sem sucesso. Aliás, nestas plagas sempre predominaram
os oponentes do recall eleitoral, apesar das restritas regras que limitam
a sua aplicação. Num país em que o eleitorado não é valorizado na
educação do exercício da cidadania, há sempre o risco do “excesso de democracia”
pela redução da independência dos eleitos e pelos abusos de
grupos infl uentes e com poder econômico.

No pensamento de um Lenin exilado na Suíça - “um país não é democrático
se o eleitor não contar com um instrumento para retomar o
mandato concedido ao eleito” –, ou no do magistrado brasileiro Ali Mazloum
– “o atual estágio de maturidade republicana recomenda a introdução
de recall anual para patrulhar políticos” -, podemos buscar inspiração
para projetar a utopia de uma cidadania plena. Afi nal, por que
não sonhar com políticos investidos de simples servidores, representantes
dos nossos mais legítimos interesses?

Nome de Dom Nivaldo atirado ao esgoto

Tomei um susto quando li no Novo Jornal, sob o título "Em obras", que a estação de tratamento de esgotos de Natal tem o nome, veja só, de Dom Nivaldo Monte. Só pode ser gozação da Caern. Pelo menos uma terrível e malcheirosa gozação. Confesso que não sabia que o saudoso arcebispo fora - não sei há quanto tempo - alvo de tão espantosa homenagem. 

http://nataldeontem.blogspot.com.br/2008_12_01_archive.html
Você já imaginou, dar o nome de Dom Nivaldo a uma estação de tratamento de esgoto? Dar o nome de qualquer pessoa a uma estação desse tipo?

Se a moda pega, vamos ter coisas como Fossa Dr. Fulano de Tal, Lamaçal Professora Maria não sei do quê, Buraco Patati-patatá, Privada João de sei lá, Fedentina Dona não sei quem, Atoleiro Dr. Paulo de Tal, Pântano Engenheiro Astrojildo das Quantas e por aí vai.

Pelo amor de Deus, Dom Nivaldo não merece isso, pessoal. Vamos fazer uma corrente de orações para ver se abrandamos o coração da Caern e eles tiram seu nome da tal estação de tratamento. Ave Maria!

Leia o início da matéria onde li sobre a aberração:

AS OBRAS DE interligação de rede
de esgotos à Estação de Tratamento
de Esgotos Dom Nivaldo
Monte (ETE do Baldo) só deverão
ser concluídas daqui a aproximadamente
30 dias. Realizada pela
Companhia de Águas e Esgotos do
Rio Grande do Norte (Caern), as
obras tiveram início no dia 18 de
abril e, a partir de então, causaram
uma interdição parcial da Avenida
do Contorno. Por causa disso, o
tráfego de veículos no sentido Baldo-
Ribeira e Cidade-Baldo no trecho
em que a avenida cruza com a
Rua Governador Rafael Fernandes
está temporariamente obstruído.

Muito obrigado, nuvens

Uma chuva boa chegou, trazendo alegria à manhã deste sábado. É que no Nordeste, quando o tempo seca muito, dá uma espécie de tristeza, um a coisa ruim de doer, o calor entrando no corpo da gente como se fosse uma febre vindo de fora para nos fazer o mal.
Pulsar imagens

Mas aí chegou a chuva, acho que chuva já antiga, que as nuvens vinham guardando, apurando, maturando em sua natureza de algodão. E então, de repente, todas elas, as nuvens, deixaram a água descer às terras nordestinas, tão belas e tão duras, tão fortes e tão exigentes a nós homens que a elas habitamos.

Aproveito para fazer um pedido às nuvens: vocês podem partir do litoral e chegar ao agreste, ao sertão e ali deixar cair seus grãos de água? Fazer o agrecista e o sertanejo abrir os braços para estreitar em aperto amigo essa água querida, podem?

Façam isso, nuvens. E verão que os grãos de água vão brotar em milagre nos roçados e nos açudes, nos açudecos e nos barreiros cacimbas e cisternas do povo do sertão, nas gentes do agreste.

Um abraço, nuvens. E boas chuvas para vocês. 
PS: e para nós também.

Recebo e divulgo

Para no (a)pagar la radio

En Argentina no se ha iniciado aún el proceso de digitalización de las señales de radio, proceso que ya comenzó en otras partes del mundo. Por eso es importante conocer qué es lo que está en juego y qué se debate a nivel mundial. Damián Loreti estuvo en Bruselas participando de un foro sobre el tema en la sede del Parlamento Europeo y aquí expone las principales aristas de la cuestión.

Por Damián Loreti *

Desde Bruselas


El 8 y 9 de mayo se realizó en la sede del Parlamento Europeo en Bruselas una audiencia pública bajo el título “Radios comunitarias, diversidad cultural e inclusión social en el espectro de frecuencias ante el apagón analógico”, convocada por el grupo parlamentario conjunto de la Izquierda Europea Unificada y la Izquierda Verde Nórdica.


Algunas aclaraciones previas. Así como lo hemos empezado a ver en Argentina con la televisión, en otros lugares (Estados Unidos y algunos países de Europa Occidental) ya han tomado decisiones para comenzar los procesos de digitalización de la radio. Como suele ocurrir, las tensiones en torno de la elección de normas técnicas encierran intereses económicos de las empresas prestadoras. Y esto trae aparejados efectos sociales y culturales vinculados con la concentración de poder.


En este punto, al igual que ocurrió con la televisión digital, el enfrentamiento se da entre las normas de EE.UU. y Europa. Aunque existen varios estándares para la transmisión digital de señales de radio, en nuestra región –en lo que hace a decisiones ya tomadas– hasta ahora se viene manejando sólo uno: el IBOC. Creado e impulsado por la industria norteamericana, ofrece cero riesgo a los empresarios que ya cuentan con licencias de radio, en tanto funciona con el mismo canal que hasta ahora vienen utilizando para afrontar la transición, brindando una mejor calidad de la señal (muy notoria en AM y algo menos en FM) y nuevos servicios asociados.


El IBOC permite que mientras la población va reemplazando los receptores analógicos por digitales, los propietarios de las radios no pierdan audiencia ni deban afrontar un cambio de frecuencia que implicaría posicionar la nueva “marca”, ya que en el mismo número de frecuencia por el que hoy se recibe cada emisora podrán transmitir en analógico y en digital.


Una opción competitiva frente al IBOC es el europeo DAB (Digital Audio Broadcasting), antes llamado Eureka-1475, que implica la utilización de una nueva banda del espectro (VHF o L) para la radio digital. Al llegar el apagón analógico, todo el espectro actual de FM se pasaría a la nueva banda y la anterior quedaría libre para otros servicios, lo cual, como veremos, no es necesariamente bueno.


Otros estándares en desarrollo son el DRM (Digital Radio Mondiale), previsto para frecuencias inferiores a tres megaciclos (onda media, larga y corta), y el coreano DMB (Digital Multimedia Broadcasting), con el mismo mecanismo de trasmisión que el DAB y algunas diferencias respecto de las señales multimedia. Para todos ellos ya hay versiones (+) (plus).


En alerta

¿Para qué toda esta explicación? Para ir alertando sobre algunas cuestiones. En primer lugar, la IBOC es una norma tributaria. Es decir, implica el pago de licencias a los titulares de las tecnologías. Por otra parte, la idea de salirse de la banda de FM como ocurriría al optar por una norma europea implicaría el cambio total del parque de aparatos receptores y la eventual aparición de una figura que ya se conoce en la televisión digital en otros países y afortunadamente aún no entre nosotros: el operador de red. Algo así como un concesionario de la frecuencia o banda por la que se transmite, que la alquila a terceros.


Cuando se fijó el criterio de torre única y transmisor público para la TV digital en Argentina, algunos (por zoncera, por negocios o por desconocimiento) dijeron que la televisión se monopolizaba. Pues bien, cuando esa administración se delega en un privado, éste lo alquila y para entrar hay que pagar. Esta situación podría traer como consecuencia el tener que pedirle a los televidentes/oyentes que paguen para ver Televisión Digital Terrestre HD o escuchar radio digital codificada, tal como hoy se paga para el cable. Y esto es lo que no debería ocurrir como regla.


El relato de los representantes de los medios comunitarios europeos nucleados en la Asociación Mundial de Radios Comunitarias (Amarc), durante el encuentro de Bruselas, mostró notorias asimetrías en el contexto continental europeo y un profundo desinterés de la mayoría de los gobiernos sobre cómo prevenir y evitar la ampliación de la brecha social que traen las tecnologías digitales cuando son impuestas desde el mercado. En muchos países, los vacíos normativos conviven con las declaraciones de ilegalidad a las emisoras –España, Hungría, República Checa–, en otros se verifican situaciones de mayor respaldo estatal –Irlanda, Francia– y perspectivas de crecimiento tecnológico conjunto. Pero lo visto hasta ahora demuestra que las tecnologías de digitalización en la radio están pensadas para las empresas de medios más poderosas, mientras que aquellas que tienen menor capacidad económica –incluidas las comunitarias– no encuentran modo de subirse a la ola, porque nadie les facilitará gratis (o al precio que un medio no comercial puede afrontar) el acceso al multiplexado.


Podríamos adelantarnos a decir que las tecnologías de Internet permitirán reemplazar a la radio y que tiene mucho más espacio. Malas noticias: Internet no es gratis y no garantiza anonimato en los gustos y tendencias. La radio sí lo es para el oyente que escucha lo que quiere y nadie lo detecta. Ello significa que así como la ley de protección de datos personales no es necesaria para los oyentes de radio, sí lo es para los usuarios de Internet porque se detecta el tráfico de datos y el gran hermano prestador del servicio sabe qué vemos y cuándo. En la primera, la comunicación es amplia y de acceso abierto, la segunda se basa en el streaming individual y, además, se paga.


Sentido de las políticas públicas

El problema no son sólo los medios comunitarios en sí, sino que ellos y sus oyentes son el espejo en el cual mirarse porque es donde más rápida y claramente se nota la inclinación del tobogán que la mayoría de los Estados les ofrece por la incomprensión y el silencio. Los modelos y las tecnologías no son inocuos ni neutros. En Canadá, la TV digital no llega a las ciudades que no alcanzan un mínimo determinado de habitantes porque el Estado no asume más que el funcionamiento de la cadena pública. Ello implica que entre el 10 y el 15 por ciento de la población seguirá en analógico. Volviendo a la radio, en Brasil, por impulso y presión de una coalición de sectores sociales, se inició una etapa de prueba en una norma técnica distinta a la norteamericana por los graves efectos que generaba. En México se impuso la IBOC con un breve aviso previo y sin proceso de consulta.


En 2007 los Relatores de libertad de expresión de ONU, OEA, OSCE y la Comisión Africana plantearon que “los diferentes tipos de medios de comunicación –comerciales, de servicio público y comunitarios– deben ser capaces de operar en, y tener acceso equitativo a todas las plataformas de transmisión disponibles. Las medidas específicas para promover la diversidad pueden incluir el reservar frecuencias adecuadas para diferentes tipos de medio (...) En la planificación de la transición de la radiodifusión análoga a la digital se debe considerar el impacto que tiene en el acceso a los medios de comunicación y en los diferentes tipos de medios. Esto requiere un plan claro para el cambio que promueva, en lugar de limitar, los medios públicos. Se deben adoptar medidas para asegurar que el costo de la transición digital no limite la capacidad de los medios comunitarios para operar”.


Cuando en la Ley de Servicios de Comunicación Audiovisual 26.522 se consignó que el objetivo de la regulación era garantizar el derecho a la comunicación de las personas, se estableció un paradigma opuesto al de la actividad comercial como razón de ser de la comunicación. De allí la reserva de frecuencias prevista en el artículo 77.


Este mandato normativo ordena el sentido de las políticas públicas y los planes posteriores deben ir de la mano con lo dicho. Se trata, como en tantos otros ámbitos, de expandir derechos e integrar y no de pagar por ver la tribuna. Todavía no hemos empezado aquí el proceso de digitalización de las señales de radio y nada indica que tengamos que desconfiar ni apurarnos, pero es bueno conocer de qué van las cosas.


Porque habrá siempre quienes quieran que (a)paguemos la radio.


* Profesor de Derecho a la Información de la UBA. Fue invitado a participar por los convocantes como consejero legal de Amarc Internacional.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Recebo e divulgo

A Agência de Comunicação da UFRN-Agecon, registrou a primeira edição do Jornal Livre. Segue a matéria:

Curso de Comunicação Social publica primeira edição de jornal laboratório

O Curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) publica nesta semana, com a denominação de Jornal Livre, a primeira edição de um jornal laboratório produzido por alunos da habilitação em Jornalismo, sob a orientação do professor Emanoel Francisco Pinto Barreto.

A edição zero, como foi registrada, colorida, com 16 páginas e formato tablóide, traz um ensaio fotográfico e matérias produzidas pelos estudantes em outubro de 2011. Além de textos sobre cultura e esporte, o jornal traz também duas reportagens sobre temas atuais: o casamento entre homossexuais e a situação de menores infratores.

“Vestindo Branco” é o título da reportagem que revela detalhes do primeiro casamento gay registrado no estado, ocorrido na cidade de Goianinha, em agosto do ano passado. A condição dos menores infratores do Centro de Educação (CEDUC) de Pitimbú é mostrada sob o título “Crime e Castigo”.

“Somos o Jornal Livre. Apartidário, político, participante. Não temos amarras ou ligações com projetos pessoais, eleitorais ou com o mercado”, diz, a certa altura, a Carta ao Leitor.

A primeira edição de o Jornal Livre teve tiragem de 1 mil exemplares. O conteúdo do impresso também pode ser conferido no site: www.jornallivre.org


segunda-feira, 14 de maio de 2012


 O Jornal Livre


Acabo de receber exemplar da primeira edição do Jornal Livre, produzido pelos estudantes de jornalismo do curso de Comunicação Social da UFRN. É luta empreendida desde o ano passado, quando professores e alunos lançaram a campanha "Queremos um jornal". 

Afinal sai o número zero, cujo editorial critica a falta de compromisso da Reitoria em viabilizar o jornal, realizado como projeto de extensão cujos recursos somente garantiram a saída do primeiro número. Lutaremos para reverter esse quadro.

O Jornal Livre marca momento histórico do curso de Comunicação Social. Amanhã a equipe fará reunião de pauta e revisão crítica da edição.


Segue o editorial.



Quem sabe faz a hora
 
Fruto do trabalho dos estudantes de jornalismo da UFRN sai esta primeira edição do Jornal Livre. A reunião de esforços, a decisão de fazer, a sinergia que mobilizamos nos dão a dimensão da importância da campanha Queremos um jornal, que nos mobilizou em causa. Foram muitas as dificuldades que transformamos em desafios, grandes as limitações superadas, reconfortantes todas as etapas. Da pauta à edição, da busca por uma gráfica à alegria de ver os primeiros exemplares impressos. Tudo o que fizemos tem, para nós, o sentido de marco fincado na história do Curso de Comunicação Social. Compartilhamos com todos, professores, alunos e funcionários, esse legado.
 Esta edição é um limiar, fronteira que marca um começo. Saberemos, com serenidade e firmeza, manter essa luta, guiar seus próximos passos, fundar uma tradição: a de que o nosso Curso tenha um jornal que circule regularmente. É um direito dos estudantes e uma obrigação da UFRN. O Jornal Livre foi feito com garra e com o limitado apoio da Pro-Reitoria de Extensão, cujo financiamento somente deu para esta edição: agora, é preciso que a UFRN tome consciência de suas responsabilidades perante o Curso de Comunicação e mostre proatividade, garantindo recursos para que o Jornal Livre continue a circular. 

Caso isso não ocorra, omitindo-se a Universidade, mobilizaremos os estudantes a fim de que venhamos a reunir recursos para as próximas edições. Lamentamos que a UFRN não tenha se sensibilizado com a proposta de que o Curso de Comunicação precisa e deve ter garantido, institucionalmente, um jornal-laboratório, limitando o apoio a esta edição. É um direito dos discentes, e objetivo dos professores, o exercício pleno do processo de qualificação dos futuros profissionais e uma obrigação a que a Universidade não pode se furtar. Assim sendo, estamos aqui. 
Somos um jornal de sociedade civil, plural e democrático. Queremos nos manter em circulação e intervir no pleno da história. Esta ideia não morrerá. Com ou sem ajuda, não cessaremos. Não buscamos uma quimera: vivemos plenamente nossa utopia, aqui no sentido de busca de potencialidades realizáveis, razoáveis e concretas. Essas potencialidades já estão aqui representadas, vividas, vívidas, expostas. 

Somos o Jornal Livre. Apartidário, político, participante. Não temos amarras ou ligações com projetos pessoais, eleitorais ou com o mercado. A condição de livre faz deste jornal instrumento social com papel inescusável: colocar-se ao lado de causas voltadas para a cidadania e para o dissenso democrático, expondo suas páginas à defesa do bem-comum. Sem radicalismo, com determinação; sem ofender pessoas, mas sem recuar diante de falhas de sujeitos, faremos do nosso jornalismo uma página a serviço do social e da comunidade acadêmica, seus reclamos, suas urgências. Estamos somente começando a fazer a nossa parte. Agora, compete à Reitoria começar a fazer a parte que lhe cabe. E isso nós vamos cobrar.

Momento inesquecível
--- Walter Medeiros* 
 
Uma penumbra de nuvens densas e frias na tarde da segunda-feira, 7 de Maio de 2012, criou um ambiente de sonhos para mim. Lá estava eu assistindo ao meu filho Walter defender uma monografia perante uma banca de professores do Instituto Federal de Ciências e Tecnologia do Rio Grande do Norte, para formar-se em Construção Civil. Depois de uma apresentação emocionada e bela, eis o resultado: aprovado. Felicidade em seu semblante e da sua namorada, também presente.

Impossível conter as palavras no momento em que senti que era possível dizer algo. Para dizer aos presentes que inaugurei aquele prédio junto com as turmas de alunos de 1967. Naquele ano a Escola Industrial de Natal passava a funcionar na Salgado Filho com Bernardo Vieira e ali cursei o Ginásio Industrial. E falei sobre outros momentos da história daquela escola, que este ano completa 103 anos de fundação.

Andando naqueles corredores tive de comparar os tempos. Nos anos 60/70 a escola atendia apenas estudantes do sexo masculino. Tinha apenas o prédio central, que terminava com uns galpões de oficinas. De lá para cá ganhou urbanização em lugar da areia e cajueiros; ginásio coberto; estádio; auditório; centro de convivência; laboratórios e tantos outros recursos. Na minha avaliação de quem não tem muita amizade com matemática, em 67 a escola seria 20% do que é hoje, em termos de estrutura. Um professor estimou na hora em cerca de 40%. O fato é que cresceu muito.

Cresceu e mudou. Moderna já era, mas modernizou-se muito mais. Acompanhou a evolução e hoje continua uma escola jovem, embora centenária. Onde nem telefone se sonhava em ter, estão dispostos notebooks, projetores, internet e todos os demais recursos que os professores, alunos e funcionários precisam dispor para se manterem sintonizados com o mundo lá fora e com os tempos que sempre mudam.

Fiquei emocionado com aquela aconchego de jovens, estudantes, namorados, naquela movimentação tão viva, cada um em busca de suas obrigações, cada um com certeza vivendo momentos importantes de suas vidas. O vento da janela, vindo do Morro Branco, é o mesmo que batia em meu rosto nos anos sessenta. E nos laboratórios, o olhar dos jovens para as máquinas, visores e medidores são os mesmos olhares que hoje aprendem as coisas do Século XXI, com os mesmos sonhos dos olhos que aprendiam a montar um rádio ouvindo o professor Názaro explicar como se media os nanofarades e microfarades.

Mesmo tendo crescido tanto, a escola de 1967 está lá. Sabemos onde ela começa e onde começou a ser ampliada. Foi extasiante, embora tenha procurado disfarçar, caminhar naquela corredor onde pegava a xepa; olhar pela varanda de onde se via a escola em forma para cantar o Hino Nacional; passar naquela rampa vendo os mesmos desenhos de Newton Navarro e observar que as suas paredes receberam azulejos de cores discretas para quebrar a monotonia da construção original, e que mudaram para melhor.

Na frente, a mesma sala onde a minha mãe foi anos seguidos comprar minhas fardas, cadernos e livros; onde a telefonista Mariêta atendia a toda a escola; onde os professores remanescentes da EIN – Escola Industrial de Natal recebiam o respeito de todos. Até a chuva que me fazia chegar à casa molhado, vez por outra, apareceu no começo da noite. E por fim uma tristeza, uma saudade, uma vontade de ficar mais, mas era hora de sair de novo daquele chão do tempo, levando comigo mais uma bela lembrança; uma lembrança inesquecível.
*Jornalista

 Greve não é chantagem

Leio nas coisas de jornal publicadas na net que os motoristas de ônibus estão tentando impedir a circulação dos alternativos. Assim já não é greve: é intimidação e chantagem. Querem instalar o caos para ganhar em cima disso. 

A greve é um direito, uma conquista social. Usar a força bruta para impedir a circulação dos alternativos é somente chantagem e tentativa de parar tudo na marra. Muitos alunos e funcionários da UFRN foram vítimas desse tipo de manobra: não puderam chegar ao Campus. Temo que hoje à tarde e à noite não teremos aula.

Como resultado da exarcebação de ânimos há quem parta para apedrejar ônibus, outro erro. Cabe também aos empresários do setor ter sensibilidade para atender às reivindicações dos motoristas e cobradores, que, por sua vez, devem agir de forma compatível com a respeitabilidade da condição de trabalhadores.

Congresso ALAIC 2012 - O protagonismo hegemônico de Assis Chateaubriand


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domingo, 13 de maio de 2012

Olá, Amigos,

Magnífica e ancestral impressora encontrada na Biblioteca Nacional do Uruguai
Voltei do Uruguai e do seu frio cortante. Cheguei tangido, puxado pelo braço por um vento vaqueiro.E abraçado, ao pisar o nosso chão, por uma brisa praieira e nordestina. Quando vou a esses países hermanos, sempre a trabalho, sempre percorrendo seus espaços de congressos e encontros de professores de jornalismo, lá está ele, o frio. Sabe que sou um cabra do Nordeste e percebe que seu jeito de ser é um e o meu é outro. Sabe que sou de gibão de couro e ele veste-se de poncho. Mas me recebe bem e me dá uns agasalhos. É uma forma de o frio me chamar de amigo.

Foi uma experiência, boa, como boas foram as da Colômbia e Argentina, já lá se vão uns seis anos. O povo do frio tem roupagem diferente da nossa. Cobre-se de vestuário pesado e elegante, formal e vistoso. Eles me atendem bem e dizem que sou "muy amable". 

Montevidéu tem um aspecto belo, com suas ruas outonais recobertas pela folhagem triste dos plátanos. Casais, muitos de idade antiga e gris, dançam tango ao entardecer às margens do Prata, um rio que tem muito de mar. E estando nós de um lado não se lhe vemos a outra margem, tamanha a sua largura. Belo rio. Às vezes, tocado por um vento poderoso, atira-se em ondas magistrais sobre a pista e lava os carros com ímpeto e força. 

Quase dois milhões de almas austrais percorrem requintadamente suas ruas - de casas  muitas em estilo pesado, bem espanhol. Às vezes o olhar se queda chocado: é que em meio aos homens e mulheres bem vestidos deambulam fantasmas: são os pobres e os miseráveis do lugar, envoltos em pesadíssimos trapos. Apanhando pontas de cigarro pelo chão e dizendo, com sua simples presença que como nós são latinos. E compartilham o sofrimento endêmico de nossa teia histórica de injustiça e exclusão.

Foi uma semana de muito trabalho, reuniões e apresentação do meu trabalho. Na tarde antes da partida, em frente ao hotel onde estava, um cantor de rua entoava tangos tristíssimos acompanhado de sua guitarra e de um teclado. Olhei lá de cima o espetáculo e senti uma ponta de saudade antecipada. Agradeci ao Uruguai, agradeci ao frio ter recebido este cabra nordestino e solar e prometi algum dia voltar. 

Hasta la vista, Uruguai. Hasta la vista...

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Em frente à Biblioteca Nacional
Caros Amigos,


Encerrou-se hoje o congresso de que participei. Foi muito bem recebida a exposição a respeito de Assis Chateaubriand. No Hotel Balmoral, onde me encontro, estou a praticamente dois passos da sede do jornal El País, a que não tive tempo de conhecer. 


São pouco mais de cinco da tarde e começo a preparar-me para a volta. A cidade está com um clima pesado, céu cinzento; o frio é uma constante. 


Na Plaza Cagancha, onde fica o hotel, um cantor de tango dá uma nota nostálgica à tarde. Folhas de plátano, creio que as árvores sejam plátanos, atoalham o chão. Já chego, Natal; já chego.


Abraços,
Emanoel Barreto

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Cadê as coisas do meu país?

Olá, amigos,
Estou em Montevidéu, preparando-me para a apresentação de meu trabalho no Encontro da Associação Latino-americana de Pesquisadores em Comunicação. Falarei a respeito de Assis Chateaubriand e seu hegemonismo no jornalismo.



Hoje fui a Punta del Este. A opulência das mansões transformou-se em ponto turístico e, claro, a escultura da mão que brota da areia da praia, magnífica metáfora do Homem, é seu principal atrativo. Para quem é de jogo os cassinos dão o tom. 

Estou de volta ao hotel e, nesse momento, vem-me algo à memória recente deste dia agradabilíssimo: Punta foi a primeira praia onde não vi uma só pessoa em traje de banho. Meu olhar tropical se indaga e me diz: cadê o meu sol dourado, cadê as coisas do meu país?

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Recebo e divulgo

Diretoria do FNPJ divulga Carta de Uberlândia

ENPJ | Sexta-feira, 04 de Maio de 2012 - 11h27 | Autor: Da Redação

A diretoria do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ) divulgou nesta sexta, 4 de maio o documento final do 14º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo (ENPJ), realizado entre os dias 27 e 29 de abril na Universidade Federal de Uberlândia. A Carta de Uberlândia é um documento que sistematiza as políticas e discussões dos professores de jornalismo reunidos no 14º ENPJ. O texto sinaliza as diretrizes defendidas pelos professores de jornalismo, jornalistas e pesquisadores em jornalismo no que diz respeito ao envolvimento de jornalistas nos esquemas de corrupção, ainda a importância da implementação democratização dos meios de comunicação no país e que o governo brasileiro garanta, de fato, a segurança da atividade jornalística, tendo em vista os vários assassinatos de jornalistas ocorridos nos últimos meses.

O documento também reafirma a necessidade de o Congresso Nacional dar continuidade ao processo de votação da Proposta de Emenda Constitucional 33, conhecida como a PEC dos Jornalistas e agilidade na aprovação das novas Diretrizes Curriculares pelo Conselho Nacional de Educação.

Confira na íntegra a Carta de Uberlândia:

CARTA DE UBERLÂNDIA


Os docentes reunidos no 14º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo, realizado em Uberlândia, Minas Gerais, no período de 27 a 29 de abril de 2012, manifestam preocupação com as denúncias de envolvimento de jornalistas e de empresas de comunicação no esquema de corrupção montado pelo contraventor conhecido por Carlinhos Cachoeira.

Se comprovadas, as denúncias significam que os valores humanos, democráticos e jornalísticos mais elementares estão deixando de ser respeitados por este pequeno grupo de profissionais e de empresas. No caso específico do exercício do Jornalismo, fica gravemente prejudicada a postura de impessoalidade e independência no tratamento da informação jornalística, que se constitui em serviço e bem público necessário ao exercício da cidadania e à constituição de uma esfera pública democrática.

Os professores de Jornalismo alertam para o fato de que esse comportamento é avesso aos valores debatidos nos cursos com os futuros profissionais e para o fato de, apesar de restrito a pequenos grupos de jornalistas, revelar uma forma nova de operação do crime. As notícias até agora divulgadas sobre a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, revelam que jornalistas e empresas são assediados para integrar diretamente uma organização criminosa, e passam a fazê-lo como uma de suas células, com o propósito não só de distorcer a realidade, mas de viabilizar práticas absolutamente ilícitas.

Isso exige de todos os atores sociais envolvidos com o Jornalismo uma postura de revalorização dos princípios éticos e deontológicos da profissão, ações no sentido de blindar a atividade jornalística contra o assédio promovido pelo crime, cassar o registro dos maus profissionais e exigir das autoridades públicas profunda investigação dos fatos e punição aos corruptos e corruptores.

Para os participantes do Encontro, esses fatos sinalizam mais uma vez para a necessidade da democratização da comunicação no Brasil, o que passa pelo estabelecimento de um marco regulatório claro, que assegure, ao mesmo tempo, a liberdade de imprensa e a participação da sociedade no estabelecimento de políticas para o setor, por intermédio de um Conselho de Comunicação independente e com poderes de regulação, como ocorre em boa parte do mundo democrático, conforme proposta aprovada na Primeira Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada em dezembro de 2009.

No caso específico do Jornalismo, passa também pela criação, negada pelo Congresso Nacional, de um Conselho Federal e dos Conselhos Regionais de Jornalistas, como autarquia legítima para zelar adequadamente pelo bom exercício profissional do Jornalismo, cassando, se necessário e em benefício da sociedade, o registro dos profissionais cuja conduta antiética seja comprovada.

Também é preocupante o aumento da violência contra jornalistas no Brasil, com seis assassinatos ocorridos nos últimos cinco meses. O último da triste estatística foi Décio Sá, de 42 anos, morto com seis tiros, em São Luiz do Maranhão, no dia 23 abril de 2012. Sá era jornalista do Estado do Maranhão e dono de um blog conhecido pelas denúncias e críticas contra o poder público e políticos, o que o tornou uma das páginas mais acessadas da região. Tais fatos denunciam a intolerância de certos setores da sociedade com a crítica pública e com os valores democráticos e requerem das autoridades policiais e judiciais ações contundentes no sentido de punir os responsáveis e garantir a segurança necessária ao exercício profissional do Jornalismo, um serviço fundamental à cidadania e à democracia.

Os participantes do 14º ENPJ também reafirmam a necessidade de o Congresso Nacional dar continuidade ao processo de votação da Proposta de Emenda Constitucional 33 (conhecida como a PEC dos Jornalistas), aprovada em primeiro turno no Senado da República, que restitui a obrigatoriedade da graduação em Jornalismo para o exercício da profissão de jornalista. Essa exigência, equivocadamente eliminada pelo STF da legislação que regulamenta a profissão, é condição fundamental para qualificar a atividade, colocá-la em sintonia com as aspirações sociais, devolver minimamente ao Estado a capacidade de regulação da atividade e restabelecer o papel central da instituição universitária na determinação do perfil profissional e, portanto, do perfil de jornalismo que a sociedade brasileira terá.

No que diz respeito à educação superior, os docentes de Jornalismo também manifestam preocupação com a demora na apreciação da proposta de novas Diretrizes Curriculares Nacionais de Jornalismo pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), onde tramita há mais de dois anos. Tal fato gera insegurança, atrasa a atualização dos projetos pedagógicos e da estrutura curricular desencadeada por diversos cursos de Jornalismo em todo o Brasil e posterga mais ainda o processo nacional desencadeado pelo próprio MEC de reconhecimento e de afirmação da identidade e especificidade do Jornalismo e dos seus princípios democráticos e republicanos.

Os participantes do encontro reivindicam, ainda, das autoridades competentes, o fortalecimento das políticas de extensão, para que essa prática se efetive como componente fundamental da presença das instituições universitárias na vida das sociedades nas quais estão inseridas. Por fim, os participantes do 14º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo denunciam a precarização do trabalho docente, as demissões arbitrárias e a substituição de professores qualificados por outros de menor capacitação, medidas que visam a potencialização do lucro e evidenciam a mercantilização da Educação.

APROVADA NA ASSEMBLEIA-GERAL-ORDINÁRIA DO FNPJ REALIZADA DENTRO DO 14º ENCONTRO NACIONAL DE PROFESSORES DE JORNALISMO

Uberlândia (MG), 29 de abril de 2012

Umas palavras sobre Assis Chateaubriand

http://www.google.com.br/imgres?q=assis
Viajo amanhã a Montevidéu a fim de participar da 11ª edição do Congresso da Asociación Latinoamericana de Investigadores de la Comunicación-Alaic.

Estou inscrito no grupo História da Comunicação e meu trabalho aborda "O protagonismo hegemônico de Assis Chateaubriand", cujo pioneirismo o levou a constituir a rede dos Diários e Emissoras Associados.

Abordarei seu pensamento político, seu empreendedorismo, as peculiaridades de pessoa que o levavam de grande capitão arrojado a arrivista, como fez em relação a Getúlio Vargas, a quem cumulou de elogios e abandonou em 1945, quando de sua derrocada.

Abordarei também sua germanofilia, manifesta em artigos em que elogiava abertamente o Fuhrer e o nazismo, chegando a defender a existência no Brasil de um partido único, a exemplo dos partidos Nazista e Fascista.

Enfim, é isso. Estou em preparativos e amanhã viajo. Volto em uma semana.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Pois é: afinal, estamos na Globo. Vergonha.
Ou melhor: sem-vergonha.

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Leia matéria abaixo, da Tribuna do Norte: a situação caótica do Walfredo Gurgel. E o governo do estado, com tudo isso, torra dinheiro com Copa do Mundo.

Hospital W. Gurgel tem estrutura comprometida


O Hospital Walfredo Gurgel, referência no tratamento de pacientes politraumatizados no Rio Grande do Norte, corriqueiramente, além da superlotação, passa por problemas estruturais, que podem comprometer o atendimento dos enfermos. Atualmente, dois dos quatro elevadores que servem aquela unidade estão quebrados e, por isso, o maqueiro que estiver transportando um cadáver não tem acesso internamente ao necrotério, aonde só pode chegar saindo do prédio.
Júnior SantosLixo comum e orgânico está acumulado junto à unidade há pelos menos duas semanasLixo comum e orgânico está acumulado junto à unidade há pelos menos duas semanas

A TRIBUNA DO NORTE flagrou dois instantes em que isso ocorreu. Às 16h11, um maqueiro saiu com o corpo de um homem, que acabara de falecer. Às 16h29 passou o cadáver de uma mulher, em decorrência de politraumatismo.

Outro problema na unidade é o lixo orgânico e comum,  acumulado há pelo menos duas semanas, no fundo e ao lado do terceiro prédio que compõe aquele complexo hospitalar.  Um auxiliar de manutenção disse que "nunca tinha acontecido isso nos 25 anos que trabalho aqui".

O mesmo funcionário do WHG, que não quis se identificar para evitar problemas, disse que vinha ocorrendo atraso no pagamento à empresa responsável pela coleta de lixo, enquanto o chamado lixo hospitalar "estava sendo recolhido regularmente".

Já o secretário estadual de Saúde Pública, Domício Arruda, confirmou que havia um contrato precário com a empresa Limp Express, mas disse que ela "estava usando a imprensa para fazer cobrança" das dívidas que a Sesap tinha pela prestação do serviço de coleta do lixo comum.

Domício Arruda disse que a Sesap já pagou o que devia à empresa pela coleta de lixo de 2011 e uma parcela relativa a janeiro deste ano. Ele acrescentou que faltam pagar dois meses, um valor de R$ 40 mil que será quitado a título de indenização, porque um novo contrato de 12 meses já foi assinado e que  começou a vigorar em março, com uma despesa mensal prevista de R$ 22 mil.

Por intermédio de sua assessoria de imprensa, a TRIBUNA DO NORTE obteve a informação de que a coletado lixo comum e orgânico, que fica num dispensário ao lado de um quarto exclusivo para receber o lixo hospitalar, seria regularizado pela Limp Express até amanhã.

Quanto aos elevadores que estavam quebrados, a informação do HWG é de que a empresa  Elevadores Masters havia feito a manutenção dos equipamentos e estes tinham voltado a funcionar entre o fim da tarde e o começo da noite de ontem.

Um médico que não quis se identificar, também disse que os técnicos do Hospital Walfredo Gurgel só estão se alimentando porque se servem da mesma comida destinada aos pacientes. Para os médicos, que ali trabalham, a alimentação foi cortada "por falta de pagamento ao fornecedor".

O médico disse que faltam muitos itens no hospital e que, essa situação, deverá ser oficializada junto à governadora Rosalba Ciarlini com uma "carta aberta", elaborada pelos médicos lotados naquela unidade hospitalar, que há pelo menos dois meses está sem diretor geral, pois o médico Mozar Dias de Almeida saiu de férias e pediu para deixar o cargo.

O secretário Domício Arruda explicou que, numa reunião com o quadro de médicos do HWG, pediu-se que fosse elaborada uma lista a critérios dos seus profissionais, para que dali saísse a nomeação do novo diretor geral. Mas, o que decidiram foi a formação de uma comissão para gerir a unidade, o que vai de encontro à orientação do governo.

Por enquanto, segundo Arruda, uma médica vem respondendo pelo expediente da direção geral por questão legal, enquanto continuam lá o diretor técnico João Rabelo e o diretor administrativo-financeiro, Josenildo Barbosa.

Júnior SantosCorpos levados por maqueiros para o necrotério pelo lado de fora do Walfredo GurgelCorpos levados por maqueiros para o necrotério pelo lado de fora do Walfredo Gurgel
Promotora visita o Clóvis Sarinho


Os funcionários do Hospital Walfredo Gurgel estão em greve há 30 dias e, ontem à tarde, convidaram a promotora de Defesa da Saúde, Iara Pinheiro, para visitar o pronto-socorro Clóvis Sarinho, que passa por uma crise de desabastecimento.

Iara Pinheiro não quis antecipar nada para os jornalistas,  nem antes e nem depois de sua chegada, mas afirmou que aquela "era uma visita de rotina".

O diretor do Sindicato dos Servidores da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sindsaúde-RN), Marcelo Melo, disse que amanhã deverá ser entregue um relatório à promotora sobre as condições de trabalho dos funcionários e de atendimento aos pacientes do HWG, que inclui o pronto-socorro Clóvis Sarinho: "Na quinta ou sexta-feira ela também ficou de apresentar um relatório de sua visita".

Marcelo Melo disse que o mínimo de 30% dos servidores estão garantidos e não inviabiliza o funcionamento do hospital e nem houve redução da demanda e nem paralisação do atendimento da UTI. "A única redução que há é a falta de medicamentos e material para tratamento dos pacientes, no sentido de logística e não de falta de servidores na UTI".

O sindicalista Paulo Martins,disse que tudo o que a promotora viu, "são coisas que ela já está acostumada a ver". Segundo ele, a promotora sabe muito bem da realidade do HWG, os corredores superlotados, falta de profissionais e, inclusive, "ela requereu na Justiça a contratação de mais servidores, mas isso foi negado, porque o Estado sempre recorre dessa situação".

Alberto LeandroHenrique Alves foi ao hospital ver de perto a situação críticaHenrique Alves foi ao hospital ver de perto a situação crítica
Deputado cobra repasses para Varela Santiago


A crise gerada pela falta de recursos no Hospital Infantil Varela Santiago chegou a um ponto ainda mais crítico. O déficit financeiro da entidade é histórico e os pedidos "de socorro" dos diretores do maior complexo hospitalar infantil do Estado são feitos "há muito tempo". Na semana passada, diante de mais uma crise, o diretor Paulo Xavier pediu afastamento afirmando que não irá reduzir o número de funcionários ou a qualidade dos serviços para diminuir o custeio do complexo.

 Ontem pela manhã, o deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB) conversou com a diretora técnica da instituição, Águeda Trindade, e com o gerente administrativo, Régis Neto. Eles explicaram ao parlamentar que o Hospital tem para receber cerca de R$ 1,6 milhão em repasses federais (através da Prefeitura de Natal) e estaduais, mas nenhum dos entes governamentais informam quando os valores serão disponibilizados.

 "Fiquei muito preocupado com as declarações do dr. Paulo Xavier. Vim saber o que estava acontecendo. Lamentavelmente, as decisões não estão se tornando reais. Há uma burocracia ou dificuldade da Prefeitura de Natal em repassar os recursos", comentou o deputado. Por telefone, Henrique Alves falou com a governadora Rosalba Ciarlini. Da Bahia, ela comentou que iria verificar os motivos pelos quais os repasses do programa Cidadão Nota 10 e do convênio com a Secretaria Estadual de Saúde (Sesap), ainda não haviam ocorrido. Ela se dispôs a analisar a situação e contribuir com o hospital.

 O Governo do Estado acumula um dívida para com o hospital estimada em R$ 865 mil - sendo R$ 500 mil do convênio e R$ 365 mil de repasses do programa de doação de notas fiscais. Dos recursos oriundos do programa de incentivo fiscal Cidadão Nota 10, restam aproximadamente R$ 245 mil que deixaram de ser pagos ao complexo hospitalar pelo governo Wilma de Faria/Iberê Ferreira de Souza e que ainda não foram quitados pelo atual Governo.

 Já a Prefeitura de Natal, responsável por receber os valores oriundos do Ministério da Saúde e repassá-los ao Varela Santiago, ainda não depositou R$ 450 mil referentes ao mês de abril e mais R$ 332 mil para pagamentos de serviços e plantões dos médicos. A origem da monta não é municipal e sim federal. A Prefeitura de Natal apenas realiza o repasse pois o Hospital Infantil, por ser uma entidade beneficente, não pode receber os valores diretamente da União.

"Já existe, inclusive, um desgaste com a Prefeitura. Nós não sabemos o motivo do atraso pois o dinheiro nem é municipal", comentou o gerente administrativo, Régis Neto. De acordo com ele, o custo mensal do hospital gira em torno de R$ 1,1 milhão. Deste total, cerca de R$ 600 mil são gastos com a folha de pagamento de 400 funcionários. Há pelo menos sete meses, o déficit médio mensal do complexo é de R$ 200 mil. O deputado federal Henrique Alves definiu os atrasos como "absurdos".

 Foi justamente essa diferença entre despesa e receita e a impossibilidade de sanar a problemática de uma vez por todas, que levou o diretor Paulo Xavier a se afastar. "Nós temos uma fragilidade econômica muito antiga. Nós só trabalhamos para o SUS e não temos como manter o hospital. Nosso principal problema é com a folha de pagamento. Eu estive na direção há doze anos e chegou a hora de entregar o cargo para outra pessoa. Torço para que o Hospital Infantil não se torne apenas mais um da rede estadual", afirmou Paulo Xavier.

 Ele disse, ainda, que o diferencial do Varela Santiago é o atendimento de qualidade e o acesso à Saúde para quem não tem condições de financiar uma consulta ou tratamento. "Não queria ver o Hospital Infantil enterrado numa vala comum", lamentou Paulo Xavier. O deputado Henrique Alves garantiu que até o próximo dia 15 de maio, um repasse de R$ 1 milhão através de uma emenda constitucional já empenhada, deverá ser depositado na conta do hospital. Os recursos financiarão a compra de novos equipamentos para a unidade.

Suspeita de dengue lota unidades

Nos próximos dias, a secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) vai divulgar um novo boletim epidemiológico com os números da dengue. O último estudo apontava 6.864 casos notificados, dos quais 1.164 foram confirmados. O mais recente boletim da secretaria Municipal de Saúde (SMS) mostra uma curva ascendente no número de casos da doença e infestação predial. Somente na capital, as notificações beiravam os três mil casos até meados de abril. Nos postos de saúde e hospitais da cidade é fácil constatar que a doença é motivo de preocupação para população.
Aldair DantasNo Sandra Celeste movimento de pacientes tem sido intensoNo Sandra Celeste movimento de pacientes tem sido intenso

Na tarde de ontem, a recepção do Pronto-Socorro Infantil Sandra Celeste estava lotada. Pais segurando os filhos no colo, outros sentados na escada e alguns, por falta de espaço e acomodação adequada, aguardavam o atendimento médico do lado de fora do prédio. A equipe de reportagem conversou com algumas dessas pessoas e constatou que a maioria queixava-se de sintomas da dengue.

O casal formado pelo porteiro Luiz Sales e a dona de casa Maria José aguardava que o filho, Marcelo Santos, 6 anos, fosse atendido. Eles chegaram ao Pronto-Socorro antes do meio dia e o tempo de espera já passava de três horas. O motivo da ida ao posto médico era a febre do garoto. "Faz uns dias que ele está com febre e uma moleza no corpo. Eu acho que é dengue", disse a mãe. A família mora em Nova Natal e não sabia que horas voltaria para casa. "Do jeito que está lotado, devemos chegar só à noite", disse Luiz.

Na unidade médica, três médicos plantonistas atendiam os pacientes. Além de bairros distantes de Candelária, onde a unidade está localizada, os pacientes vinham de outras cidades como São Gonçalo e Parnamirim. De acordo com a enfermeira Juliana Santos, o movimento no local cresceu nas últimas semanas. "Os casos de suspeita de dengue realmente têm crescido nos últimos dias", afirmou. Os pacientes com a suspeita têm que retornar ao Pronto-Socorro dois dias após o primeiro atendimento para confirmar ou descartas a suspeita. "Por isso estamos com tanta gente aguardando atendimento", explicou.

De acordo com os últimos boletins epidemiológicos da SMS, os bairros do Bom Pastor, Quintas, Dix-Sept-Rosado, Lagoa Seca, Barro Vermelho, Alecrim, Cidade Alta, Petrópolis e Rocas são os que apresentam a maior incidência de dengue em Natal. Além disso, segundo o Programa Estadual de Controle da Dengue (PECD), da Sesap, 84 municípios potiguares apresentam baixa incidência da doença, enquanto 23 encontram-se com média, 19 registram alta e 41 estão com incidência silenciosa. O próximo boletim epidemiológico deve ser publicado ainda nessa semana.